Trancafiava seus sentimentos dentro de uma gaveta para que quando a noite chegasse, pudesse tirá-los e usufruir de seu inferno pessoal. Deitava em sua pequena cama e se encolhia, pensava, pensava e pensava. Relembrava de tudo o que outrora havia feito ao lado daquele que a chamava de “minha”. Lágrimas vinham, lágrimas iam. Enchentes, furações e terremotos. Catástrofes naturais ocorrentes de um só lugar, um só ponto no meio de um vasto continente. Era tanto sofrimento, tantos sentimentos espremidos dentro de um peito já há muito tempo cheio. Difícil de agüentar, admito. Mas ela conseguia, os levava consigo para onde quer que fosse sem demonstrar um pingo do que sentia. Sem deixar cair uma gota de seu copo cheio. Forte, corajosa, uma garota difícil de encontrar por ai, única, esta é a palavra que a define. É uma pena que ninguém a de valor… Pelo menos não mais. - Laura Hanauer
Sinto falta de você. E sinto falta de ter nos olhos aquele brilho e aquele orgulho de dizer o quanto te amava, independente dos teus erros. Queria concertar certas coisas, mas não vejo como, não entendo como.“
— (Fernanda Guedes)
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O amor não acaba, é nós que mudamos. O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos. Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito. O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa. Se for amor, volta. Se for paixão, volta - mas periodicamente.
Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão. Caio Fernando de Abreu



